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Ipea divulga novo Boletim Mercado de Trabalho
(13/02/2009 - 12:09)
Perspectivas de taxas de emprego preocupam
Apesar de evidências claras da desaceleração da atividade econômica no último trimestre, o mercado de trabalho terminou o ano de 2008 com bons resultados, com destaque para a taxa de desemprego de 7,8%, que alcançou o seu patamar mais baixo desde a implementação da versão atual da Pesquisa Mensal do Emprego do IBGE (PME/IBGE).
Esse resultado pode ser conferido no Boletim Mercado de Trabalho nº 38 lançado em 13/2, pelo Ipea. O documento busca apresentar um panorama geral do funcionamento do mercado de trabalho metropolitano em 2008, comparando a evolução dos principais indicadores com o observado nos anos imediatamente anteriores.
O nível de ocupação, emprego formal, rendimentos reais e massa de rendimentos também apresentaram evoluções bastante favoráveis, confirmando o bom desempenho do mercado em 2008. Não obstante essa boa avaliação, os pesquisadores ponderam que as perspectivas para o início desse ano são preocupantes,pois, "se confirmada a expectativa de desaceleração da atividade econômica, o impacto no funcionamento do mercado de trabalho se fará sentir, mais cedo ou mais tarde."
Completam o boletim quatro notas técnicas que analisam questões relacionadas à dinâmica do mercado de trabalho, enfocando algumas transições a que o trabalhador está sujeito ao longo de sua vida profissional.
A primeira nota, de Marina Ferreira Fortes Aguas, Valéria Pero e Eduardo Pontual Ribeiro, discute a necessidade de uma eventual revisão nos conceitos de desemprego e inatividade. Os autores analisam nos dados da PME/IBGE um subgrupo de trabalhadores inativos, classificados de marginalmente inativos, a fim de saber se o seu padrão de transição para os demais estados do mercado de trabalho é mais semelhante ao restante dos trabalhadores inativos ou àquele apresentado pelos trabalhadores desempregados. Concluem que na verdade o grupo de trabalhadores marginalmente ativos tem padrões mais semelhantes ao dos desempregados.
A segunda nota, de Letícia S. G. Albuquerque, investiga se os efeitos de sucessivas transições entre empregos trazem impactos positivos ou negativos para o salário corrente do trabalhador. A autora mostra que do ponto de vista teórico o efeito é indeterminado, pois enquanto algumas teorias justificam uma relação positiva, outras fazem o contrário.A análise empírica implementada com os dados da Raismigra (Ministério do Trabalho) mostra efeitos positivos no contexto do setor formal do Brasil.
A terceira nota, de Ricardo da Silva Freguglia, também traz uma análise empírica baseada nos dados da Raismigra. Dessa vez, a transição em foco é entre empregos, envolvendo a migração do trabalhador entre unidades da federação. O autor privilegia as migrações para o maior pólo receptor do país, o e Estado de São Paulo. Seus resultados mostram que em um primeiro momento o migrante tende a ter perdas salariais, porém com o passar do tempo ele consegue reverter esse quadro com ganhos salariais suficientes para equalizar seus rendimentos aos dos residentes de São Paulo.
A última nota, de Adriana Fontes e Valéria Pero, analisa o efeito de transições entre empregos formais e informais sobre o salário do trabalhador. A análise empírica volta a ser implementada com os dados da PME, e mostra que transições tanto de postos sem carteira assinada como de autônomos para empregos formais são acompanhadas de ganhos salariais e vice-versa. Com esses resultados, as autoras resgatam um debate marcante na década de 1980 sobre quão inferiores seriam as condições de trabalho no setor informal. Esse resgate é feito valendo-se não apenas de informações mais atuais como também de métodos empíricos mais sofisticados.
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